segunda-feira, 7 de março de 2016

Alpha Notícias: Indústria automobilística cai 31,3% no primeiro bimestre de 2016



Até fevereiro foram 302,1 mil unidades vendidas contra 439,7 mil em 2015

Texto: Assessoria de Imprensa

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, divulgou os resultados da indústria automobilística brasileira nos dois primeiros meses do ano. O balanço apontou um recuo de 31,3% nas vendas de veículos novos: foram 302,1 mil unidades este ano e 439,7 mil em 2015. 

Em fevereiro foram licenciados 146,8 mil veículos, o que mostra uma queda de 5,5% frente a janeiro, com 155,3 mil unidades, e de 21% se analisado com fevereiro do ano passado, quando 185,9 mil unidades foram vendidas. 

A produção em fevereiro foi de 131,3 mil unidades, diminuição de 36,4% ante as 206,4 mil do mesmo mês no ano passado. Se defrontado com janeiro, com 150,1 mil produtos, a indústria apresenta contração de 12,5%. No acumulado, 281,4 mil unidades foram fabricadas, o que representa decréscimo de 31,6% sobre o primeiro bimestre de 2015, com 411,7 mil unidades. 

Para Luiz Moan Yabiku Junior, presidente da Anfavea, os dados estão em linha com a expectativa de que o primeiro trimestre apresentaria resultados muito negativos: 

"A conjunção de inúmeros fatores segue impactando fortemente o mercado. O período de começo de ano é tradicionalmente menor do que o restante, em razão de feriados como o Carnaval, ou no caso da produção, com concessão de férias coletivas e paradas estratégicas. Além disso, o comparativo com o início do ano passado ainda é influenciado pelo IPI. Contudo, a crise política segue comprometendo a economia ao reduzir a confiança, os investimentos e o mercado. Quando uma crise duradoura como essa acontece, seus efeitos são severos". 

As exportações registraram crescimento de 26,8% no bimestre com 60,3 mil unidades este ano e 47,6 mil em 2015. Em fevereiro 36,5 mil unidades foram negociadas com outros países - alta de 53,1% frente a janeiro, com 23,8 mil unidades, e de 16,7% ante as 31,3 mil de fevereiro do ano passado. 

Caminhões e ônibus 

A indústria comercializou em fevereiro 3,8 mil caminhões, contração de 12,8% sobre os 4,4 mil de janeiro, e de 25,3% contra mesmo mês do ano passado, com 5,1 mil. No acumulado, as vendas ficaram menores em 35,5%: foram 8,3 mil unidades este ano e 12,8 mil em 2015. 

A produção chegou a 5,3 mil unidades no segundo mês do ano, o que significa aumento de 27,3% sobre as 4,1 mil de janeiro e redução de 30,8% se comparado com fevereiro do ano passado, com 7,6 mil unidades. As fábricas produziram no bimestre 9,4 mil unidades, baixa de 40,7% contra as 15,9 mil unidades do ano passado. 

As exportações recuaram 3,1% no acumulado do ano, com 2,5 mil unidades este ano e 2,6 mil no ano anterior. Em fevereiro deste ano, 1,7 mil unidades deixaram as fronteiras brasileiras, o que representa expansão de 98,9% se comparado com as 842 unidades de janeiro e de 17,3% com relação as 1,4 mil de fevereiro de 2015. 

As vendas de ônibus foram inferiores em 32,2% - com 700 unidades neste segundo mês do ano e mil em janeiro. Se defrontado com mesmo período do ano passado, quando 1,5 mil produtos foram vendidos, os fabricantes fecharam o mês com resultado menor em 54,2%. O balanço do bimestre registrou retração de 49,1% no licenciamento, com 1,7 mil unidades este ano e 3,4 mil no ano passado. 

A produção em fevereiro ficou superior em 28,3%: foram 1,5 mil chassis em fevereiro e 1,2 mil em janeiro. Ao se comparar com as 2,6 mil de fevereiro do ano passado o decréscimo foi de 41,9%. Até o segundo mês do ano, 2,7 mil unidades deixaram as linhas de montagem, o que representa contração de 45,2% contra as 4,9 mil de 2015. 

As exportações de ônibus encerraram o bimestre com crescimento de 15,7% ao se comparar as 848 unidades deste ano com as 733 do ano passado. 

Máquinas agrícolas e rodoviárias 

O resultado das vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias em fevereiro, com 2,3 mil unidades, ficou 50,4% maior do que as 1,6 mil unidades do mês anterior e 36,5% menor ao se defrontar com as 3,7 mil de fevereiro do ano passado. As vendas no acumulado registram queda de 44,6% quando comparadas as 3,9 mil unidades deste ano com as 7 mil de 2015. 

A produção nos dois meses já transcorridos deste ano diminuiu 52% se comparado com o ano passado, quando 9,5 mil máquinas saíram das fábricas - este ano o volume chegou a 4,5 mil. Em fevereiro foram fabricadas 2,9 mil unidades, o que significa aumento de 80,4% frente as 1,6 mil de janeiro e declínio de 39,8% contra as 4,9 mil de fevereiro do ano passado. 

As exportações até o segundo mês do ano, com 832 unidades, recuaram 39,8% quando comparado com as 1,4 mil do mesmo período de 2015. 

Capacidade produtiva 

A Anfavea divulgou ainda estudo sobre a capacidade produtiva da indústria automobilística brasileira. Segundo o levantamento, o setor de autoveículos é capaz de produzir anualmente 5,05 milhões de unidades. Ao levar em consideração a previsão da própria entidade de produção em 2016 de 2,44 milhões, a capacidade ociosa do ano seria de 52%. 

Se analisado o segmento de veículos leves, que abrange automóveis e comerciais leves, a ociosidade chega a 50% - a capacidade produtiva total é de 4,63 milhões e a utilização este ano será de 2,33 milhões de unidades. 

O segmento de veículos pesados apresentou a maior ociosidade entre todos os setores analisados. As fábricas deste segmento podem produzir 422 mil unidades, porém devem produzir este ano 107,8 mil caminhões e ônibus, o que mostra que estão com 74% da capacidade inutilizada. 

A produção de máquinas agrícolas e rodoviárias deve chegar este ano em 56,6 mil unidades. Com uma capacidade de fabricar 109 mil unidades por ano, a ociosidade chega a 48%. 

Luiz Moan Yabiku Junior, presidente da Anfavea, acredita que "este estudo mostra claramente a dificuldade que as montadoras estão enfrentando em todos os setores, com destaque importantíssimo para o segmento de caminhões e ônibus. Com a demanda no mercado interno em baixa, as empresas trabalham para administrar a produção, por meio de férias coletivas, adesão ao Programa de Proteção ao Emprego e layoff, para que desta forma possa preservar ao máximo o nível de emprego no setor".

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