quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Alpha Notícias: Estudo alerta sobre o perigo da combinação álcool e direção




“Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2020” destaca aumento dos casos de internação entre 2010 e 2017

O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool - CISA alerta para uma perigosa combinação que parte dos brasileiros ainda insiste em fazer: álcool e direção. Segundo a Organização Mundial da Saúde, no Relatório Global sobre Álcool e Saúde de 2018, o álcool esteve associado a 36,7% dos acidentes de trânsito entre homens e 23% entre mulheres no Brasil.

“Mesmo com a Lei Seca, que preconiza álcool zero, muitos dos que se arriscam acreditam que o consumo de uma dose de álcool não será capaz de alterar sua capacidade de direção. Mas estão errados e colocam a sua própria vida e a de terceiros em risco”, reforça Arthur Guerra, psiquiatra e presidente do CISA.

Prestes a encerrarmos a Década de Ações pela Segurança no Trânsito (2011-2020), esse é um tema que ainda gera preocupações e seu enfrentamento desafia as autoridades. Embora a legislação brasileira seja um exemplo mundial, sendo o Brasil um dos quinze países do mundo que possui leis nacionais que tratam da condução sob o efeito do álcool com tolerância zero, os números de acidentes de trânsitos envolvendo embriaguez indicam que precisamos reforçar as ações educativas, de fiscalização e punitivas. 

Dados da publicação “Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2020” mostram que os acidentes de trânsito são a primeira causa de internações relacionadas ao uso de álcool no Brasil, representando 19,7% dos casos em 2017 - um aumento em comparação a 2010, quando era de 15,4%. Em relação aos óbitos atribuíveis ao álcool, os acidentes aparecem como terceira causa (15,2%), atrás de cirrose hepática (15,9%) e violência interpessoal (15,7%). O índice é inferior ao registrado em 2010 (19,3%). 

Ele explica que baixas concentrações de álcool já são suficientes para alterar os reflexos e a percepção visual, assim como aumentar o tempo de reação de um indivíduo. 

Para o psiquiatra, a direção de veículos após a ingestão de bebidas alcoólicas é um grave problema de saúde pública, exigindo das autoridades medidas intersetoriais, com efeitos práticos de curto a longo prazo, como fiscalização e controles mais rígidos especialmente em áreas de maior concentração de bares, cumprimento exemplar das penalidades previstas na legislação e ações educativas com foco especial nos universitários que, muitas vezes, inebriados pela sensação de um mundo formidável que os espera, entendem erroneamente que a falta de limites é um estilo de vida a ser aproveitado de forma inconsequente. 

Outros dados preocupantes sobre álcool e direção: 

- Nas capitais brasileiras, um em cada 10 motoristas relatam dirigir sob efeitos do álcool, de acordo com o Vigitel Brasil 2018 – Comportamento no Trânsito. Homens apresentaram a maior prevalência desse comportamento (14,2%), enquanto entre mulheres esse percentual foi de 6,3%. E são os indivíduos com maior escolaridade (12 anos ou mais) que apresentaram as maiores prevalências de dirigir após beber (12,4%).

- Cerca de 26% dos escolares de 9º ano do Ensino Fundamental (de 13 a 15 anos) pegaram carona em veículos conduzidos por motoristas sob efeito de álcool nos 30 dias prévios à pesquisa, mostrando que mesmo os jovens abstêmios podem se expor indiretamente aos perigos do álcool conforme a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar em 2015. A tendência foi de aumento: em 2009, esse índice era de 18,7% e, em 2012, chegou a 22,8%.

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