segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Alpha Motos: Saiba os perigos da prática de montar pneus de carros em motos




Essa modificação, além de não recomendada, passa por cima de questões técnicas importantes

Das inúmeras polêmicas envolvendo pneus, esta é com certeza uma das mais quentes. Há diversos depoimentos de fervorosos defensores que utilizaram e utilizam pneus de carros de passeio aplicados na roda traseira de motos do tipo custom. 

Elas possuem garfos dianteiros mais longos, inclinados para frente e bancos mais baixos, tais como a Honda Shadow, Yamaha Virago, Kasinski Mirage e Harley-Davidson Fat Boy.

Há várias combinações já tentadas e até mesmo “recomendadas”: Honda Shadow 600 montada com 175/65R14, Kasinski Mirage 250 e Yamaha Virago 250 com 165R15 ou 5.60/15 (utilizados originalmente no VW Fusca), Yamaha Drag Star 650 e Suzuki Boulevard C1500 com 185/65R15, 195/55R15 e até 205/50R15. 

Os argumentos dos que defendem tal alteração são sempre os mesmos: o custo de um pneu de passeio versus o custo de pneu traseiro de uma custom original chega a ser até três vezes menor, o seu uso acaba por proporcionar maior conforto ao motorista e maior durabilidade do produto. Além disso, a estabilidade e o comportamento da moto não são afetados de forma significativa e os pilotos se adaptam rapidamente às eventuais alterações. 

Rafael Astolfi, gerente de assistência técnica da Continental, fabricante de pneus de tecnologia alemã, explica que inicialmente é preciso atentar para as diferenças de construção de pneus de motocicletas e de carros, que não são poucas. “Pneus de motos são geralmente diagonais, com coroa (porção que compreende a banda de rodagem) arredondada e normalmente possuem mais de um composto de borracha em sua banda, o que permite níveis diferentes de aderência em retas, curvas e curvas fechadas. Suas laterais são bastante rígidas, sendo bem difícil dobrá-las. Já pneus de passeio em sua grande maioria são radiais, possuem coroas planas e são normalmente construídos com apenas um composto de borracha em sua banda de rodagem. Suas laterais já são bastante maleáveis quando comparados aos pneus de duas rodas”, ensina. 

Segundo o especialista, embora haja uma boa razão por trás de cada uma dessas características, o fato de as motocicletas custom terem um estilo de condução diferenciado - não inclinando tanto na hora de efetuar curvas e mantendo-se bastante “em pé” - acaba viabilizando o uso de pneus de passeio. 

O fato é que essa modificação, além de não recomendada, passa por cima de algumas questões técnicas importantes: 

* o casamento entre a largura da seção do pneu e a largura do aro de montagem - o que evita deformações e desgastes irregulares, além de garantir bom contato com o solo; 

* o uso de câmaras em pneus tubeless - que podem danificar o pneu e gerar excesso de calor pelo atrito; 

* o excesso de pressão de inflação para montagem - que pode romper núcleos de talões; 

* a falta de orientação sobre uma pressão de uso adequada - que pode reduzir a vida útil dos pneus e afetar o consumo da motocicleta. 

“Muitos os adeptos dessa prática perigosa acreditam que a recomendação de um modelo específico de pneu é apenas de uma questão comercial, o que não é verdade. Mas se ainda for necessário fornecer mais algum argumento, há um risco real de uma seguradora recusar a cobertura de um sinistro caso a motocicleta tenha uma alteração deste tipo”, conclui Astolfi. 

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